Vacinação contra o HPV no Brasil reduz internações por doenças relacionadas ao vírus, revela estudo nacional
January 16, 2026 3:39 pm GMT-0300
Estudo revela que o programa de vacinação contra o HPV, iniciado em 2014, resultou em uma queda significativa nas internações por doenças relacionadas ao vírus, destacando a importância da imunização na saúde pública e a necessidade de expandir a cobertura vacinal
São Paulo, dezembro de 2025 – Um estudo nacional de mundo real acaba de comprovar o impacto positivo do programa brasileiro de vacinação contra o papilomavírus humano (HPV), na saúde pública. O vírus é conhecido por ser causador de diveras doenças e cânceres entre homens e mulheres1. O levantamento de dados de hospitalizações por verrugas anogenitais e lesões precursoras do câncer de colo do útero mostra quedas expressivas nessas internações, especialmente entre adolescentes, após a implementação da vacina pelo Sistema Único de Saúde (SUS) 2.
O programa de vacinação começou em 2014 para meninas e foi ampliado para meninos em 2017, com foco inicial em adolescentes de 9 a 14 anos2. Entre 2015 e 2019, a cobertura vacinal entre meninas rapidamente ultrapassou 90% para a primeira dose aos 15 anos logo após a introdução, enquanto entre meninos o índice ficou abaixo de 50% até 20192. Atualmente, dados do Ministério da Saúde apontam que ambos, meninos e meninas, estão abaixo da meta de cobertura vacinal de 90%3, reforçando a necessidade de estratégias para ampliar a adesão, inclusive entre meninos, a fim de potencializar os benefícios da imunização observados neste estudo.
O estudo comparou a taxa de hospitalizações do período pré-vacinal com o período após a introdução da vacina, utilizando os registros do Sistema de Informações Hospitalares, que cobre cerca de 75% das internações no país2. Foram avaliadas duas doenças provocadas pelo HPV: neoplasia intraepitelial cervical (NIC) de alto grau em mulheres, que se trata da lesão que antecede o câncer de colo do útero, e verrugas anogenitais em ambos os sexos2-4.
Os resultados analisados por grupo de idade são contundentes: na faixa de 15 a 19 anos, grupo diretamente beneficiado pela vacinação, observou-se uma queda imediata nas hospitalizações após o início do programa2. Entre as meninas, que tiveram maior cobertura e começaram a ser vacinadas antes, foi observado um aumento de 24% hospitalizações por verrugas anogenitais entre 2011 e 2015, passando de 100 casos (taxa de incidencia: 1,2 por 100.000 habitantes) para 124 casos (taxa de 1,5), e aumento de aproximadamente 31% nas hospitalizações de NIC de 89 casos (taxa de 1,0) para 117 (taxa de 1,4) 2. Após a introdução da vacina, foi observado uma redução expressiva de aproximadamente 77% nas hospitalizações por verrugas anogenitais (de 124 para 28 casos) e cerca de 66% nas hospitalizações por NIC (de 117 para 40 casos) até 20192. Entre os meninos, cuja vacinação começou apenas em 2017, houve um aumento de 72% nas hospitalizações por verrugas anogenitais entre 2011 e 2015 (de 64 para 110 casos), seguido por um controle da incidência com queda de 50,9%, para 54 casos em 2019, após o início da vacinação2.
Reduções também foram observadas em outras faixas etárias, sugerindo possíveis efeitos indiretos da vacinação, por meio da diminuição da circulação do vírus, e impacto de estratégias complementares de rastreamento e tratamento para o câncer de colo do útero2.
“O HPV é um vírus frequente que está 99% atrelado aos casos de câncer de colo do útero5, mas é uma infecção que afeta também os homens e pode causar complicações graves, como outros tipos de câncer e o surgimento das verrugas anogenitais1. Os resultados desse estudo mostram que não podemos deixar de falar de prevenção contra o HPV, que é uma questão de saúde pública”, comenta a Dra. Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD Brasil.
Este estudo, o primeiro a reportar redução de doença clínica no Brasil, se soma a outras evidências de mundo real conduzidos em outros países, como Australia, Estados Unidos e Suíça, que também apontam para o impacto positivo da vacinação contra o HPV em populações imunizadas. A pesquisa destaca ainda a robustez dos achados, confirmados por diferentes análises estatísticas e de sensibilidade. Os autores apontam que a pandemia de COVID-19, a partir de 2020, alterou o padrão das internações, motivo pelo qual os dados mais recentes não foram incluídos2.
Líder do estudo e Diretora Executiva de Pesquisa de Dados de Mundo Real Latam da MSD, a Dra. Cintia Parellada comenta “após a implementação da vacinação contra o HPV, o Brasil começa a colher os primeiros frutos na redução da doença – um marco histórico na saúde pública do país –, mas, para eliminar os cânceres caudados pelo vírus, além de manter a cobertura vacinal alta, também é necessário ampliar o rastreamento e garantir tratamento adequado para todos os estágios da doença”.
O trabalho reforça a importância da vacinação contra o HPV como estratégia para reduzir a carga de doenças relacionadas ao vírus no Brasil2. O impacto precoce observado entre adolescentes evidencia o potencial do programa, mas também ressalta a necessidade de ampliar a cobertura vacinal para maximizar os benefícios em toda a população. O estudo serve de base para aprimoramento das políticas públicas e fortalecimento das ações de imunização, fundamentais para a saúde coletiva.
O câncer de colo do útero é uma doença prevenível por meio de vacinação contra o HPV, realização de exames preventivos e tratamento adequado de lesões pré-cancerígenas, e esses dados reforçam a necessidade de estratégias abrangentes de prevenção e conscientização em todas as idades6.
O estudo, publicado no periódico Human Vaccines & Immunotherapeutics, está disponível aqui: https://www.tandfonline.com/journals/khvi20/about-this-journal#aims-and-scope
Sobre a MSD
Por mais de 130 anos, a MSD cria invenções para a vida, trazendo ao mercado medicamentos inovadores para combater as doenças mais desafiadoras. MSD é o nome pelo qual é conhecida a Merck & Co. Inc. fora dos Estados Unidos e do Canadá, cuja sede fica em Rahway (New Jersey, EUA). Demonstramos nosso compromisso com os pacientes e com a saúde da população, aumentando o acesso aos serviços de saúde por meio de políticas, programas e parcerias de longo alcance. Hoje, a MSD continua na vanguarda da pesquisa para prevenir e tratar doenças que ameaçam pessoas e animais – incluindo câncer, doenças infecciosas como HIV e Ebola e doenças animais emergentes -, pois aspiramos ser a principal empresa biofarmacêutica intensiva em pesquisa no mundo.
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Contato para a imprensa
Felipe Cainelli – felipe.cainelli@msd.com
Referências
- Biblioteca Virtual em Saúde. Ministério da Saúde. HPV. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/campanhas-da-saude/vacinacao/hpv (acesso: 21/10/2025)
- Impact of HPV vaccination on the hospitalizations for anogenital warts and high-grade cervical intraepithelial neoplasia in Brazil: A national analysis. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/21645515.2025.2514949#abstract (acesso: 10/07/2025)
- Ministério da Saúde. Brasil avança na vacinação contra HPV e supera média global. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/agosto/brasil-avanca-na-vacinacao-contra-hpv-e-supera-media-global#:~:text=O%20Brasil%20atingiu%20mais%20de,a%20cobertura%20chega%20a%2067%25. (acesso: 22/09/2025)
- Neoplasia Intraepitelial Cervical. Disponível em: https://www.bjstd.org/revista/article/download/1000/895/939 (acesso: 23/10/2025)
- INCA – Fatores de risco. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-do-colo-do-utero/fatores-de-risco (acesso: 22/09/2025)
- OMS – Cervical Cancer. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/cervical-cancer#tab=tab_1 (acessado em 3/02/2025)
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