Câncer de Mama não é tudo igual. Entenda os subtipos

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November 26, 2025 11:19 am GMT-0300

Câncer de Mama não é tudo igual. Entenda os subtipos

Avaliação da biologia molecular das células tumorais é essencial para definição de tratamento

São Paulo, outubro de 2025 – O câncer de mama é amplamente conhecido, mas pouco se fala sobre o fato dele não se manifestar da mesma forma em todas as mulheres1. A identificação de biomarcadores — que permite classificar os subtipos moleculares, ou seja, definir o “nome e sobrenome” do tumor —, aliada ao rastreamento e ao diagnóstico precoce, é essencial para orientar o tratamento mais adequado e melhorar os desfechos das pacientes1.

“O câncer de mama é uma doença complexa e heterogênea. Graças ao avanço da ciência, hoje nós podemos dizer que o câncer de mama tem nome e sobrenome. A avaliação da sua biologia molecular, ou seja, a forma como as células tumorais se comportam, é essencial para definir o comportamento da doença e o seu tratamento¹”, explica a diretora médica da MSD Brasil, Dra. Márcia Datz Abadi. “Trazer essa clareza é essencial para que a paciente compreenda o processo, se sinta mais empoderada e participe ativamente das decisões”, finaliza.

A classificação de subtipo orienta o planejamento terapêutico, que engloba um arsenal de terapias disponíveis, — cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapias alvo, imunoterapia e hormonioterapia — sempre direcionados ao “nome e sobrenome” do tumor. A sequência e a combinação dessas terapias também dependem do subtipo1.

Os três marcadores principais são os receptores hormonais (estrogênio — ER — e progesterona — PR) e a expressão aumentada da proteína HER2. Em termos gerais, podemos definir os subtipos a partir das combinações desses marcadores: há tumores que expressam ER e/ou PR, tumores HER2‑positivos, e aqueles que não apresentam nenhum dos três marcadores, chamados de câncer de mama triplo‑negativo (TNBC) 1. Essa definição do subtipo, aliada a outras características do tumor, como tamanho e presença, restrita ou não, na mama, é fundamental para o planejamento de tratamento1.

Os tumores hormônio‑positivos correspondem a cerca de 65% dos diagnósticos e assim são os mais comuns2. Esses tumores têm boa resposta a hormonoterapia, tratamento amplamente utilizado nesses casos1. Os tumores HER2-enriquecidos também dispõe de terapia-alvo: as terapias anti-HER2, um avanço científico que transformou o tratamento desse subtipo1. Já o câncer de mama triplo‑negativo (TNBC), definido pela ausência dos três principais marcadores, representa entre 10% a 20% dos casos no Brasil3. Esse subtipo tende a crescer e a se disseminar mais rapidamente que os demais, é mais frequente em mulheres com menos de 50 anos e em negras, e apresenta maior risco de recidiva precoce — especialmente nos primeiros cinco anos após o diagnóstico3 — podendo se espalhar para outros órgãos, como sistema nervoso central4.

Até poucos anos, o tratamento do câncer de mama triplo negativo limitava‑se a cirurgia, radioterapia e quimioterapia, pela ausência de receptores hormonais e aumento da expressão da proteína HER2. Entretanto, nos últimos anos, houve avanços notáveis no tratamento.  Hoje, estudos como o KEYNOTE‑522 mostram que é possível reduzir as chances de recidivas e melhorar a sobrevida dessas pacientes ao se combinar a imunoterapia à quimioterapia5. O uso de imunoterapia representa um avanço científico: ao estimular o sistema imune, em especial os linfócitos T, é possível mobilizar defesas do próprio organismo para reconhecer e eliminar células tumorais5. Além disso, olhando para o futuro do tratamento do câncer de mama, destacam‑se terapias como os ADCs (anticorpos‑droga conjugados), uma abordagem promissora que está sendo estudada em diversos contextos da doença para uma tratamento mais eficaz e seguro da doença6.

Referências

  1. Breast Cancer Foundation. Understanding the Molecular Subtypes of Breast Cancer. Disponível em https://www.bcrf.org/about-breast-cancer/molecular-subtypes-breast-cancer/. Acessado em 02/10/2025
  2. Rosa DD, Bines J, Werutsky G, Barrios CH, Cronemberger E, Queiroz GS, de Lima VCC, Freitas-Júnior R, Couto JD, Emerenciano K, Resende H, Crocamo S, Reinert T, Van Eyil B, Nerón Y, Dybal V, Lazaretti N, de Cassia Costamilan R, de Andrade DAP, Mathias C, Vacaro GZ, Borges G, Morelle A, Caleffi M, Filho CS, Mano MS, Zaffaroni F, de Jesus RG, Simon SD. The impact of sociodemographic factors and health insurance coverage in the diagnosis and clinicopathological characteristics of breast cancer in Brazil: AMAZONA III study (GBECAM 0115). Breast Cancer Res Treat. 2020 Oct;183(3):749-757. doi: 10.1007/s10549-020-05831-y. Epub 2020 Jul 29. PMID: 32728860.
  1. PubMed. An overview of triple-negative breast cancer. Disponível em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26341644/. Acessado em 02/10/2025
  1. Triple Negative Breast Cancer and Brain Metastases. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1526820923002045?ref=pdf_download&fr=RR-2&rr=98de14225ff5181b (acesso: 10/10/2025)
  1. Schmid P, Cortes J, Dent R, et al. Event-free Survival with Pembrolizumab in Early Triple-Negative Breast Cancer. N Engl J Med. 2022;386(6):556-567. Disponível em: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2112651 (acesso: 10/10/2025)
  1. Birrer MJ, Moore KN, Betella I, Bates RC. Antibody-Drug Conjugate-Based Therapeutics: State of the Science. J Natl Cancer Inst. 2019;111(6):538-549. doi:10.1093/jnci/djz035. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30859213 (acesso: 14/10/2025)

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