Câncer de colo do útero no SUS: Estudo revela dados cruciais sobre a jornada e tratamento dos pacientes

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August 22, 2025 10:00 am GMT-0300

Um estudo de Geração de Dados Locais, conduzido pela área médica da MSD Brasil, avaliou a jornada de pacientes diagnosticadas com câncer de colo do útero no Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil, revelando dados importantes sobre padrões de tratamento, utilização de recursos de saúde e o impacto da pandemia de COVID-19 no diagnóstico e condução da doença. Os resultados irão auxiliar na expansão e no aprimoramento de políticas públicas de saúde, contribuindo para melhores prognósticos e qualidade de vida das pacientes1.

O estudo teve como objetivo analisar os padrões de tratamento das pacientes, incluindo o tempo entre o diagnóstico e o primeiro tratamento e a utilização de recursos de saúde, além de outras informações demográficas e clínicas. Trata-se de um estudo retrospectivo, desenvolvido a partir de informações de pacientes diagnosticadas com câncer de colo do útero presentes em uma base de dados pública vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Este estudo contemplou 206.861 mulheres com mais de 18 anos diagnosticadas com a doença entre janeiro de 2014 e dezembro de 20201.

O câncer de colo do útero é a quarta malignidade mais comum diagnosticada em mulheres no mundo2 e a terceira mais incidente entre as mulheres no Brasil3. Em 2020, o número de novos casos globais foi de 604.127, com cerca de 341.831 mortes4. No Brasil, a incidência estimada para cada ano entre 2023 e 2025 é de 17.010 novos casos, com 6.627 mortes relacionadas à doença reportadas em 20205.

Os dados do estudo revelam que a utilização de recursos de saúde (HCRU) para o tratamento do câncer de colo do útero no SUS aumenta com o estadiamento da doença1. Muitos pacientes no Brasil ainda são diagnosticados em estágios avançados6, o que impõe uma importante carga econômica ao sistema público de saúde. O artigo Real world data on cervical cancer treatment patterns, healthcare access and resource utilization in the Brazilian public healthcare system, publicado pela revista PlosOne em 2024, reforça que a maioria das pacientes brasileiras ainda é diagnosticada em estágios avançados, e o estágio da doença é um dos principais fatores que impactam a sobrevida6.

Um dos dados do estudo, apresentado no Congresso IGCS, ocorrido em Nova York em 2022, nos Estados Unidos, destaca o impacto da pandemia de COVID-19 nos padrões de tratamento do câncer de colo do útero no SUS. Em 2020, a proporção de pacientes que realizaram apenas cirurgia reduziu para 25,8%, comparado a 39,2% no período de 2014-20197. Houve redução de cerca de 25% no uso de radioterapia com ou sem cirurgia ou quimioterapia em todos os estágios7. Em contrapartida, a adoção de quimioterapia isolada aumentou em 22,6% em média para todos os estágios, incluindo um aumento de 7,7% para 30,2% em pacientes no estágio 17. Essas lacunas no tratamento, causadas pelo colapso hospitalar durante a pandemia, podem ter um impacto significativo nos desfechos das pacientes, cujas consequências a longo prazo ainda estão sendo determinadas.

Cerca de 99% dos casos de câncer de colo de útero são decorrentes de infecções persistentes do HPV2. Por isso, a prevenção contra o vírus é uma estratégia contra esse tipo de tumor e é possível fazê-la por meio da vacinação contra o HPV, exames de rotina, e tratamento das lesões pré-cancerígenas2. No Brasil, a vacina nonavalente está disponível na rede privada para pessoas entre 9 e 45 anos8. Já na rede pública, a vacina quadrivalente está disponível para8:

– Meninos e meninas entre 9 e 14 anos

– Pessoas de 9 a 45 anos nas seguintes condições:

            – Convivendo com HIV/Aids; pacientes oncológicos em quimioterapia e/ou radioterapia;

– Transplantados de órgãos sólidos ou de medula óssea;

– Vítimas de abuso sexual;

– Com imunodeficiência primária ou erro inato da imunidade;

– Usuários de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) entre 15 e 45 anos;

Os dados gerados tem como objetivo auxiliar no aprimoramento de políticas públicas que visam melhorar o acesso à prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer cervical no Brasil. Isso pode contribuir significativamente para a redução da mortalidade e a melhoria da qualidade de vida das pacientes.

Referências:

  1. Congresso ISPOR 2022 (poster) – Healthcare Resource Utilization of Cervical Cancer in the Brazilian Public Healthcare System: A Claim Database Study
  2. WHO – Cervical Cancer. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/cervical-cancer#tab=tab_1  (acessado em 10/06/2025)
  1. INCA – Controle do Câncer do Colo do Útero – Dados e Números – Incidência. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-do-colo-do-utero/dados-e-numeros/incidencia (acessado em 28/07/2025)
  2. Global estimates of incidence and mortality of cervical cancer in 2020: a baseline analysis of the WHO Global Cervical Cancer Elimination Initiative – The Lancet. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/langlo/article/PIIS2214-109X(22)00501-0/fulltext (acessado em 28/07/2025)
  3. INCA – Conceito e Magnitude. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-do-colo-do-utero/conceito-e-magnitude (acessado em 28/07/2025)
  4. Revista PlosOne 2024 (artigo científico) – Real world data on cervical cancer treatment patterns, healthcare access and resource utilization in the Brazilian public healthcare system
  5. Congresso IGCS 2022 (poster) – The impact of 2020 COVID-19 outbreak on the treatment patterns of cervical cancer in Brazilian public health system
  6. Família SBIM – Vacina HPV4. Disponível em: https://familia.sbim.org.br/vacinas/vacinas-disponiveis/vacina-hpv4 (acessado em 10/06/2025)