Câncer de colo do útero concentra mais de 70% das hospitalizações e mortes por HPV no Brasil, e atinge mulheres jovens
June 17, 2026 1:47 pm GMT-0300
Estudo nacional realizado pela MSD revela quase 30 mil hospitalizações e mais de 7,5 mil mortes por ano por cânceres atribuídos ao HPV durante os anos 2011 a 2019
São Paulo, maio de 2026 – Apesar de amplamente prevenível, o câncer de colo do útero foi a principal causa de hospitalizações e mortes associadas ao papilomavírus humano (HPV) entre os anos 2011 a 2019 no Brasil, afetando mulheres ainda jovens, em plena idade produtiva e reprodutiva. Um estudo nacional publicado na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics mostra que essa neoplasia atinge mulheres mais cedo que qualquer outro câncer associado ao vírus, gerando impacto significativo ao longo da vida.
Intitulado “Assessing the burden of HPV-associated cancers in Brazil: Hospitalization and mortality trends from 2011 to 2019”, o estudo analisou dados nacionais de hospitalizações e mortes do Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2011 e 2019, e estimou a carga dos cânceres associados ao HPV e suas tendências ao longo do tempo, por tipo de câncer, sexo e faixa etária.
Segundo o levantamento, os cânceres atribuíveis ao HPV provocaram, em média, 29.155 hospitalizações e 7.526 mortes por ano no Brasil. As mulheres concentraram a maior parte desse impacto, com média anual de 24.921 hospitalizações e 6.430 mortes, em grande parte decorrentes do câncer de colo do útero.
Sozinho, o câncer de colo do útero respondeu por 74,3% de todas as hospitalizações e 77,3% das mortes atribuíveis ao vírus, considerando ambos os sexos. Ao todo, foram registradas 195 mil hospitalizações e mais de 52 mil mortes por essa doença entre 2011 e 2019.
Esse cenário ajuda a contextualizar as estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que projeta mais de 19 mil novos casos de câncer de colo do útero no país por ano, para o triênio 2026-2028, um aumento de 14% no número de novos casos em comparação ao triênio anterior (2022-2025), quando eram estimados cerca de 17 mil casos anuais.
A líder do estudo e Diretora Executiva de Pesquisa de Dados de Mundo Real Latam da MSD, Dra. Cintia Parellada, comenta “os números mostram claramente o impacto dos cânceres relacionados ao HPV na saúde da população brasileira. A boa notícia é que alguns deles podem ser prevenidos por meio da vacinação contra o HPV, da realização de exames de rotina para detecção precoce da doença, e de tratamento antes que o câncer avance”.
Perfil mais jovem diferencia o câncer de colo do útero
O estudo destaca que o câncer de colo do útero apresenta um perfil etário significativamente mais jovem em comparação aos outros tipos de cânceres associados ao HPV. As hospitalizações começam a partir dos 30 anos de idade, com idade média de 47 anos para internações por essa neoplasia, um padrão não observado nos demais cânceres analisados. Esse perfil etário contribui para que o câncer de colo do útero tenha impacto desproporcional sobre mulheres em idade produtiva e reprodutiva no Brasil.
Esse perfil se reflete diretamente na mortalidade. No Brasil, o câncer de colo de útero é o que mais mata mulheres até os 35 anos de idade, e o segundo mais letal entre aquelas com até 60 anos. Cerca de 20 mulheres morrem todos os dias no paísem decorrência de uma doença prevenível, uma vez que o HPV está associado a cerca de 99% dos casos e pode ser combatido por meio da vacinação contra o vírus, do rastreamento por exames de rotina (Papanicolau e o novo rastreamento, o DNA HPV) e do tratamento adequado de lesões pré‑cancerígenas.
Outros cânceres associados ao HPV também revelam tendências preocupantes
“Outros cânceres associados ao HPV também impõem carga relevante e revelam tendências preocupantes, especialmente entre os homens”, afirma a Dra. Cintia Parellada. Além do câncer de colo do útero, o estudo evidencia uma carga significativa de outros cânceres associados ao HPV, com destaque para aqueles que afetam predominantemente os homens. Os cânceres de cabeça e pescoço, especialmente o de orofaringe, apresentaram impacto desproporcional no sexo masculino, com hospitalizações 4,2 vezes maiores em comparação ao observado entre mulheres, além de mortalidade substancialmente superior.
O câncer anal, por sua vez, apresentou crescimento consistente nos últimos anos analisados, tanto em hospitalizações quanto em mortalidade em homens e mulheres, configurando um importante sinal de alerta para o sistema de saúde. Esses achados reforçam que a carga do HPV vai além do câncer de colo do útero e afeta diferentes populações de forma relevante no Brasil.
Sobre a MSD
Por mais de 130 anos, a MSD cria invenções para a vida, trazendo ao mercado medicamentos inovadores para combater as doenças mais desafiadoras. Demonstramos nosso compromisso com os pacientes e com a saúde da população, aumentando o acesso aos serviços de saúde por meio de políticas, programas e parcerias de longo alcance. Hoje, a MSD continua na vanguarda da pesquisa para prevenir e tratar doenças que ameaçam pessoas e animais – incluindo câncer, doenças raras, doenças infecciosas, como HIV e Ebola, doenças raras e doenças animais emergentes -, pois aspiramos ser a principal empresa biofarmacêutica intensiva em pesquisa no mundo.
Sobre a MSD no Brasil
A MSD conta com mais de 1,3 mil funcionários no país, nas divisões de Saúde Humana, Saúde Animal e Pesquisa Clínica.
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